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O dia em que "mataram" Pedro Ivo
Essa história vai do macabro ao hilariante. Participei dela como espectador dos fatos e em poucos minutos passei de uma profunda tristeza para divertidos momentos de alegria explícita. Até hoje não descobrimos quem andou querendo "matar" o conhecido jornalista Pedro Ivo Bacelar que, vivendo as agruras do que os médicos chamam de "AVC", ou seja, um Acidente Vascular Cerebral, ou em linguagem mais clara, um derrame, que lhe tirou parte da mobilidade, teve a sua morte anunciada em alto e bom som pela Rádio Jornal de Itabuna.
Estava eu no meu canto predileto, diante do computador, quando me liga o Rogério Santos, chefe do jornalismo da TV Santa Cruz, para me perguntar se eu sabia alguma coisa da morte do Pedro Ivo, que já ocupara o mesmo cargo do Rogério anos antes. "Deu na Rádio Jornal", disse-me ele. A notícia me abalou. Pedí-lhe alguns minutos para apurar detalhes e liguei para a casa do próprio Pedro Ivo, em Salvador, já preparando palavras de conforto para a minha amiga Rosinha, certamente em pranto doloroso pela morte do irmão.
Fui atendido pela voz inconfundível do "morto". Confuso, mas certo que no mundo dos mortos não existe essa coisa atrasada chamada telefone, balbuciei a pergunta idiota: "É o Pedro Ivo?". O próprio, que perdeu a mobilidade física, mas manteve inalterada (acho até que mais ágil) a capacidade mental, respondeu com a ironia e a presença de espírito que fazem parte da sua personalidade: "Ainda é, Mestre Ramiro." Rimos muito e tentamos identificar de onde poderia ter saído a infausta notícia mas sem chegar a nenhum culpado, apesar dos muitos suspeitos.
O desdobramento dessa história tem também aspectos curiosos. Conta o jornalista Joselito Reis que soube da "morte" quando chegava à Rádio Jornal e foi informado pela radialista Sonia Amorim: "O nosso querido Pedro Ivo faleceu. Já deu até no programa de Milton Menezes." Em seguida o fato foi passado para Waldyr Montenegro, que estava com o seu programa "Excelência Comunicação no ar" em pleno andamento e pronto para entrevistar Valério de Magalhães, Presidente da ABI Regional e também amigo de Pedro Ivo. Em sua entrevista, ao lamentar o falecimento do amigo e ouvir o necrológio feito por Joselito, Valério chegou a anunciar que o "de cujus", como associado da ABI, fazia jús ao auxílio funeral que ele iria providenciar assim que saísse da entrevista. O fato também foi apurado com uma ligação para a casa "enlutada" quando a própria vítima atendeu dizendo: "aqui fala o espírito dele".
O que importa é que esse inusitado acontecimento parece garantir vida longa a Pedro Ivo, pois não foi ainda desta vez que a redação celestial passou a contar com o seu texto inteligente, criativo e cáustico.
(*) Jornalista, radialista e historiador da imprensa; autor do livro "De Tabocas a Itabuna-100 Anos de Imprensa". 11.02.2001
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