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Os Pioneiros da Imprensa
(Ou: Por quê 100 anos de imprensa?)
Ouvi muito essa pergunta (Por quê 100 anos, se Itabuna mal chegou aos 90?) quando anunciei pela primeira vez o título do livro que estava escrevendo sobre a história da imprensa de Itabuna - De Tabocas a Itabuna - 100 Anos de Imprensa -, lançado em setembro de 1999. Cheguei a este nome quando pesquisava e achei num dos livros de José Dantas de Andrade, uma referência sobre um pequeno jornal de nome A Platéia, editado em 1897, no Arraial de Tabocas, que ele, Dantinhas, encontrara num livro do historiador ilheense Dr. João da Silva Campos. Como essa descoberta ocorreu em 1997, portanto 100 anos depois de A Platéia, achei o título suficientemente forte, mesmo sabendo que a escolha provocaria o tipo de questionamento do sub-título desta crônica. Persistia, entretanto, um outro problema: o hiato entre 1897 e 1905, sem qualquer registro histórico da existência de outros jornais, fez com que a decisão de dar conteúdo a história se passasse a partir de 1910, ano em que Itabuna ganhou o status de cidade.
Seria impossível, entretanto, não citar os jornais que circularam entre 1905 e 1910, como O Itabuna, fundado em 1905 e dirigido pelo tipógrafo Pitágoras de Freitas e pelo comerciante Júlio de Paiva (divulgando pela primeira vez o nome do futuro município); O Labor, naquele mesmo ano, fundado pelo fazendeiro e político Paulino Vieira do Nascimento, que o vendeu no ano seguinte para o Sr. Mares de Souza; O Democrata, de 1908, também fundado por Paulino Vieira, então presidente do Partido Republicano Conservador e O Itabuna 2º, de curta existência, fundado em 1908 pelo engenheiro Olinto Leone.
Ao passar a fazer o registro dos veículos existentes a partir da Itabuna-Cidade, fiquei preocupado em ser fiel à história e me fiz a pergunta crucial: "Que jornais existiriam em Itabuna quando a Vila virou Cidade?"
A resposta parcial encontrei na própria ata da Sessão Solene do Conselho Municipal de Itabuna para a instalação da cidade, ocorrida em 21 de agosto de 1910. Nesse documento há o registro da presença na referida sessão dos senhores Mares de Souza, representando O Labor e José Agnelo dos Reis, representando O Itabuna. Considerando que O Democrata sobreviveu pelo menos até 1913 e, por dedução, levando em conta que a Itabuna de então tinha apenas três facções políticas, todas elas detendo o poder da informação através dos seus jornais, cheguei à conclusão que à época da instalação da cidade circulavam em Itabuna O Labor, O Itabuna e O Democrata, os três primeiros jornais da nova urbe que surgia.
Estes seriam, portanto, os pioneiros da nossa imprensa, dignos de figurar, com honra e glória, na galeria da história itabunense.
Ramiro Aquino é jornalista e radialista e está preparando o livro "Grandes gafes da imprensa regional".
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