Pedro Lemos Jandiróba ou Peu como é conhecido, 52 anos,13 filhos, morador do Bairro Santa Clara em Itabuna, onde sustenta no momento 06 filhos, os demais estão espalhados por São Paulo e outros estados. Pescador, desde da mais tenra idade, estabeleceu uma afinidade muito forte com o rio cachoeira. -"Devo tudo a ele, é de suas águas que tiro o sustento de minha família e foi dos peixes que ele me deu que criei os meus 13 filhos".
Peu que utiliza rede,tarrafa e monzuá para pescar, é um pescador nômade das margens do rio cachoeira. Ele escolhe um trecho do rio e ali acampa com sua barraca feita de pau e lona plástica de PVC.No momento ele está acampado no trecho que fica entre Ferradas e a Barra do rio Piabanha, local onde ocorre o encontro destes dois rios,enfrente a fazenda Porto Alegre.
Do rio ele tira traíra,acari,piau,camarão e pitu que leva aos fins de semana para casa, tira para o consumo da família e o excedente vende na praça em Itabuna. A crise econômica do sistema neoliberal também chega aos longínquos recantos, ninguém está imune. - "Agora mesmo com o frio o peixe entoca e não rende e pra complicar o lixo que jogam no rio, altera a vida e acaba diminuindo os peixes, há período que jogo a tarrafa e vem peixe muito pequeno, acabo devolvendo pra o rio para esperar ele crescer.
Uma pessoa como eu que vive somente de pesca é ruim, pois tem mês que não dá pra tirar nem meio salário. Mesmo assim eu não sou ingrato e trato o rio com muito zelo,ele é meu pai e minha mãe". Quando o trecho do rio não está mais rendendo, Peu arruma seus artefatos,coloca na canoa e procura outro espaço. Mas nem sempre é assim, há época em que ele se estabelece por mais de um ano. O local escolhido por ele acaba virando um pomar de frutas,legumes e árvores nativas,nas horas vagas ,Peu adentra a mata para colher sementes e plantá-las nas margens do Cachoeira .