um dos mais ricos acervos regionais e que guarda a memória da cultura cacaueira do Sul da Bahia da primeira metade do século XX. Através de convênio o museu será reaberto a visitação pública.
As duas instituições pretendem reabrir o Museu Casa Verde, que reúne mais de duas mil peças pertencentes à família do comerciante cacauicultor, político e "coronel" Henrique Alves dos Reis, um dos fundadores do município de Itabuna.
Dentre os objetos mais preciosos da coleção destacam-se os aparelhos de jantar e café limogés (franceses), cristais Bacarat (Bohemia, sul da Alemanha), moveis à moda Luís XV, fardas, espadas e moedas de prata, exemplares do jornal "O Intransigente", além de vestidos, chapéus e leques de Dona Cordolina Loup Reis, esposa do "coronel".
A assinatura do convênio que viabilizará a reabertura do museu aconteceu na Sexta-feira passada, às 20 horas, no Jequitibá Plaza Shopping, quando da inauguração da exposição "Imagem e Memória – A Praça Olinto Leone", composta por 30 fotografias da praça, desde 1908 até hoje.
Localizado à rua Miguel Calmon, 123, centro de Itabuna, o museu Casa Verde, depois será administrado pela Universidade Estadual de Santa Cruz, mais especificamente pelo Centro de Documentação da Uesc.
O Cedoc, através do seu programa de preservação da memória do Sul da Bahia, tem contribuído com o resgate e a manutenção de documentos tanto em nível municipal quanto estadual, além de produzir conhecimento e ser pioneiro no desenvolvimento da metodologia de organização de arquivos da região. No setor museus, o Centro já mostrou competência e sucesso na administração do Museu do Descobrimento, na Cidade Histórica, em Porto Seguro.
Na opinião da diretora do Cedoc, professora Janete Macedo, "O convênio com a Fundação é uma rara oportunidade que temos para preservar a história de uma época áurea do cacau, bem como de levar ao conhecimento das novas gerações o exemplo e a determinação do 'coronel' Henrique Alves dos Reis, cuja memória foi preservada por sua filha, Elvira dos Reis Moreira, "Dona Senhorazinha", ao inaugurar o Museu Casa Verde, em 19 de maio de 1974.
Fechamento foi sinal da crise
Cacaueira que a lavoura passou a enfrentar a partir do final da década de 80 com o aparecimento da vassoura-de-bruxa, doença que dizimou propriedades, reduziu os índices de produção e produtividade e lançou o proprietário em dificuldades financeiras.
A Fundação Henrique Alves dos Reis não teve como suportar as agruras e encerrou, temporariamente, a visitação pública do acervo do Museu Casa Verde, em 1995.
A fundação é a instituição mantenedora do museu e tem como diretora vitalícia dona Romilda Nobre, filha de dona "Senhorazinha". Para a dirigente, o convênio com a Universidade Estadual de Santa Cruz é satisfatório por permitir que o público regional possa conhecer o rico acervo de um dos homens mais importantes da história de Itabuna, já que foi prefeito e delegado de polícia. "Em toda as principais lutas, lá estava participando ativamente", disse.
A Uesc vai oferecer pessoa treinada e qualificada e assumirá todos os encargos com a manutenção do Museu Casa Verde, fundado em 19 de maio de 1974 – dia do aniversário de dona "Senhorazinha" -, com o objetivo de perpetuar a memória do seu pai, o coronel Henrique Alves dos Reis, e engrandecer a cultura de Itabuna e região.
À memória do genitor dedicou o livro "Passado o tempo", onde relata as lutas e aventuras do coronel e de sua mulher dona Cordolina Loup dos Reis.
Fonte: Jornal A Região
|