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A Praça Santo Antônio

      Por Lurdes Bertol
Praça Santo Antônio, localizada na avenida do CINQÜENTENÁRIO


Como percebemos nossa cidade? Como a vemos? Só com os olhos físicos? Ou também com os olhos da alma? Perceber é sentir, é vivenciar, é experienciar, é estar.

A ciência geográfica, que é a ciência dos lugares, a ciência dos homens agindo e reagindo aos e nos lugares, transformando, melhorando ou destruindo, tomou, além de outras formas de conhecimento, o caminho da percepção, a chamada Geografia da Percepção. Através desta ciência, foi desenvolvido o conceito de topofilia, que significa o amor ou desamor ao lugar ou lugares.

No caso de Itabuna, temos amor por ela, por algum ou alguns de seus lugares: praças, monumentos, prédios, ruas, avenidas?

Santuário Santo Antônio Neste artigo vamos discorrer sobre a praça Santo Antônio. Conhecemos a história desta praça? Sabemos onde se localiza? Temos conhecimento de seu significado? Lá se encontra o busto do fundador da cidade, o coronel Firmino Alves. E lá também está a planta da cidade de 1944, incrustada no bloco horizontal de granito, que serve de suporte para a herma do coronel.

A praça Santo Antônio está localizada em frente ao santuário Santo Antônio, quase no final da avenida Cinqüentenário, sentido Ilhéus, construída por volta de 1910. Foi uma das primeiras praças de Itabuna. Em 01 de janeiro de 1944, foi inaugurada uma Herma do fundador da cidade Firmino Alves, no centro da praça. O monumento, obra dos artistas plásticos Diógenes Rebouças e Ismael de Barros, consta de dois grandes blocos de granito que, "simbolizando a força e a rijeza de caráter do denotado desbravador, servem de suporte à medalha de bronze de José Firmino Alves. No bloco horizontal foi entalhada a planta da cidade, e assinalado em bronze, o local da primeira escola de onde se irradiou o progresso e civilização do grande município cacaueiro" (Jornal Oficial do Município de Itabuna, 02 de janeiro de 1944, p. 2). A primeira escola a que se refere o jornal, é a escola estadual Lúcia de Oliveira, inaugurada em 5 de novembro de 1935, situada na rua São Vicente de Paula, em frente à praça da Bandeira. Foi o primeiro Grupo Escolar público da cidade. Seu nome é uma homenagem à primeira professora da rede pública de Itabuna. "(...) esta escola representou o que existia de mais moderno na época em termos educacionais, tanto do ponto de vista administrativo quanto do ponto de vista pedagógico. Foi aí que as primeiras gerações da elite intelectual desta cidade iniciaram os seus estudos" (Jornal A Região, 28 de maio de 2000, p. 15).

Mapa de Itabuna (1944) no bloco horizontal do monumento


A praça fica espremida entre casas residenciais, à direita da avenida Cinqüentenário sentido Ilhéus. Tem a forma triangular, com a base voltada para a avenida, encontrando-se uma árvore em cada vértice. Na década de 1950, como as árvores estavam muito danificadas, a administração municipal da época solicitou ao médico Dr. Victor Maron, residente em frente à praça, que zelasse pelo local, principalmente pelas árvores, "numa participação comunitária", como se referiu o senhor Allex Maron (filho de Dr. Vitor) numa entrevista à autora deste artigo. Aceitando a incumbência, Dr. Victor deu a cada árvore o nome de um de seus filhos (Allex, Vitor e Frances). Como a frente da casa fica voltada para a praça e recebe muito sol, as árvores, quando crescidas, dizia o doutor Vitor, fariam sombra, beneficiando os três filhos e lembrando-os do pai, que se preocupara com o bem público e com seu bem estar, segundo depoimentos do sr. Allex Maron. Os taxistas da praça, os moradores da rua e muitas pessoas na cidade citam este fato. As árvores continuam lá, a casa e a família também (praça Santo Antônio, número 56), porém as árvores e a praça não são mais cuidadas nem pela família, nem pelo poder público. A última manutenção ocorreu na administração do prefeito Ubaldo Dantas, na década de 1980.

A praça significa "a memória viva de Itabuna", e "representa um marco para nossa história", como se expressaram alguns entrevistados. Um deles afirmou que "acredito que seja o único marco histórico de Itabuna, além da igreja Santo Antônio, construída lá pelos idos de 1910-1912". Na realidade, esta igreja, registrada na placa ao lado da porta de entrada como santuário, foi construída em 1906 e, até hoje, às terças-feiras é celebrada missa em homenagem a Santo Antônio e feita distribuição de pães aos pobres.

Foi uma igreja que teve suas missas bem freqüentadas pela elite da sociedade de Itabuna, na década de 1960, enquanto se esperava o término da construção da igreja São José, na avenida Nações Unidas. Aos domingos, enquanto não chegava a hora da missa, as mulheres, muito bem vestidas, ostentando jóias, passeavam na praça Olinto Leone. Enquanto a nova igreja estava em construção, os casamentos da alta sociedade realizavam-se nas fazendas, segundo depoimento da professora Maria Palma Andrade. Acredita-se que os casamentos não eram realizados no santuário, por ser ele pequeno e não comportar o número de pessoas que freqüentam um casamento da elite social.

Monumento a Firmino Alves na Praça Santo Antônio Como se observa na foto 4, pelo monumento sujo de tinta e mal conservado, fica patente o descaso de marcos da história da cidade como este. Seu bloco horizontal de granito, com a planta da cidade entalhada, serve de banco para os motoristas de táxi da praça que batem papo enquanto esperam a chegada de possíveis passageiros, não se movimentando para embelezá-la ou revitalizá-la. Para os taxistas e pessoas que moram na área, há falta de uma ação efetiva do poder público para preservação de monumentos históricos como este.

Uma outra forma de se mostrar o desconhecimento do significado dos monumentos da história da cidade, é o desrespeito para com esses marcos e o descaso do poder público para que a lei se cumpra também no que se refere à ocupação de espaços públicos. Isto pode ser verificado pela foto 5. Um comerciante próximo à praça Santo Antônio, literalmente tomou posse dela no período natalino de 2000, transformando a base da herma de Firmino Alves, o fundador da cidade, num tablado para exposição e venda de brinquedos. "O marco histórico da fundação de Itabuna, um símbolo protegido pela Constituição, foi invadido por um lojista do setor de brinquedos, numa demonstração de que a cidade virou 'terra de ninguém' (...) transformando a tradicional praça Santo Antônio num camelódromo, sem que a fiscalização da prefeitura tome qualquer providência" (Jornal A Região, 03 de dezembro de 2000, p. 1).

Outro elemento importante que faz parte da paisagem da praça Santo Antônio é a sorveteria Danúbio Azul. Apesar de ser um nome que tem a ver com uma famosa música de valsa e do rio europeu, quem a concebeu foi um imigrante egípcio residente na cidade, o senhor Henri Gabriel Soussa, em 1947. Antes de se tornar apenas uma sorveteria, o Danúbio Azul foi um bar que servia principalmente pessoas que embarcavam ou desembarcavam no ponto de ônibus (à época marinete), na rua Oswaldo Cruz, transversal da avenida Cinqüentenário.

Desde a década de 1960, quando foi transformada em uma casa só de sorvetes, a população de Itabuna passou a freqüentá-la com assiduidade, principalmente nos finais de tarde. O que mais se destaca desta casa, é a qualidade do produto, cujo segredo nunca foi revelado. Dizem algumas pessoas que pediam a receita do sorvete ao dono, que a resposta era sempre a mesma: "só darei a receita se me fornecerem a fórmula da coca-cola". "(...) cidade com a delícia sempre renovada (...) dos sorvetes do gringo Soussa, cuja fórmula, se dizia, vinha do Líbano e era guardada como segredo de família sob sete capas" (MATTOS, C. 1996, p. 57-58). Manter a tradição de qualidade do produto aliado ao bom atendimento, sempre foi a maior preocupação da empresa. "Como seu avô e seu pai fizeram no passado, o jovem Henri continua apostando no futuro e garante que o Danúbio chega aos 50 anos produzindo, cada vez mais gostoso, o melhor sorvete da Bahia. E sem contar o segredo para ninguém" (Jornal Agora, 28 de maio a 3 de junho de 1995, p. 7). Apesar de a casa já ter franquia em algumas cidades da Bahia, como Ilhéus e Salvador, e em outros pontos da cidade, como em uma marinete na avenida Beira Rio, no shopping Jequitibá, entre outros, a casa mãe continua no mesmo local, com as mesmas características da década de 1940, e ainda muito freqüentada.

Praça Santo Antônio: o descaso, a apropriação


Para os moradores mais antigos da cidade, a situação da praça é lamentável. Eles a sentem como um espaço que fez parte de sua vida, que lhes lembra bons momentos, mas que agora parece cair no esquecimento, como eles próprios são esquecidos. Reclamam da situação, mas não apresentam ações concretas que possam mudar o quadro. Acham que é assim mesmo. Vêem no abandono da praça o descaso pela história, por seus pioneiros, por sua memória. Mesmo assim, para eles, esta praça é um signo que se lhes apresenta como um texto de onde retiram as reminiscências e as saudades de um tempo que acham que foi bem melhor. Através dela e por ela voltam ao passado, e, num diálogo mudo, entabulam uma conversa que só eles e a praça sabem do que se trata.


LURDES BERTOL ROCHA (professora do curso de Geografia da UESC) (Trecho adapatado da dissertação de Mestrado da autora: Signos e significados do centro da cidade de Itabua – Ba)



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