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Jardim do Ó
Por Lurdes Bertol
A praça do Jardim do Ó foi construída em 1962. Nela tem início a principal artéria do centro da cidade, a avenida Cinqüentenário, que se estende no sentido sudoeste/nordeste. É arborizada, de agradável aspecto, preferida pelas pessoas mais idosas de sua vizinhança para, nos finais de tarde, tomar "uma fresca", bater papo com velhos amigos, ou, a sós, pensar na vida. Há também casais jovens, mas é mais raro. Contudo, de maneira geral, está vazia. Não é muito freqüentada pelas pessoas, principalmente porque se localiza numa área onde nascem e morrem ruas que dão acesso aos bairros do São Caetano, Zildolândia, Mangabinha, à rodoviária e ao centro da cidade, com movimentação intensa de carros e ônibus, dificultando a circulação de pedestres. Próximo a esta praça, na área hoje ocupada pelo Centro de Cultura Adonias Filho, funcionava o estádio da Desportiva Itabunense, transferido para o bairro São Caetano, no, hoje, Estádio Municipal, construído na administração de Félix de Almeida Mendonça, inaugurado em 1972, próximo à Vila Olímpica.
A principal função desta praça é ser um espaço de ajuntamento de pessoas, de concentração de manifestantes, que daí partem para desfilar suas reivindicações sociais, políticas, culturais ao longo da avenida Cinqüentenário. A maior movimentação nesta praça se dá em períodos eleitorais. As caminhadas partem dela em direção à praça Adami, onde são realizados os comícios. É deste local que partem, também, os desfiles cívicos. Durante toda a semana, seu movimento é pequeno, excetuando-se, como já se disse, quando parte daí alguma manifestação. À noite e nos finais de semana é, também, tranqüila, com pouca ou quase nenhuma movimentação. Acredita-se que em função disso, apenas 1% dos entrevistados em geral, e 5% dos estudantes da UESC, mencionaram o Jardim do Ó como elemento importante da cidade. Nos mapas mentais, no entanto, esta praça aparece, no total, com uma freqüência de 27%.
Há, nesta praça, um monumento que representa uma colher. Segundo depoimento de pessoas entrevistadas, quando José de Almeida Alcântara se candidatou a prefeito, seu mote de campanha era: "Essa vai ser de colher!", querendo dizer que seria muito fácil ganhar as eleições para prefeito. Essa expressão era muito utilizada pelo povo em geral, ao se referir a algo que seria feito sem muita dificuldade. Como o candidato foi eleito usando esse dito popular, que se tornou símbolo de sua campanha, o monumento, representando uma colher, foi colocado na praça onde mais fez seus discursos.
Na gestão de Geraldo Simões, em 1994, a praça foi reurbanizada e entregue à população em 28 de julho, no 84.º aniversário da cidade. O antigo símbolo foi substituído por um designer mais moderno, mais estilizado. Mas, para alguns observadores "parece uma fechadura, fugiu à tradição da colher". A maioria das pessoas não sabe qual o significado do monumento, nem porque está nesta praça e só percebe que é uma colher se lhe for dito. Para os que sabem seu significado, ao olhar para ela, reportam-se às campanhas de José Alcântara. É um elemento da paisagem considerado por muitos como apenas um "enfeite".
LURDES BERTOL ROCHA (professora do curso de Geografia da UESC)
(Trecho adapatado da dissertação de Mestrado da autora: Signos e significados do centro da cidade de Itabua – Ba)
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